David Barioni

David Barioni

“Prefiro o termo aviação de negócios, ao invés de aviação executiva e acredito que o Brasil vai crescer muito nos próximos anos principalmente em função desse tipo de aviação”.

Pode parecer paradoxal, na atual conjuntura, mas são esses os prognósticos do comandante David Barioni, CEO e sócio da Amaro Aviation, uma empresa de aviação de negócios, que inicia suas operações no Brasil com o conceito de fractional ownership, um modelo de propriedade compartilhada de aeronaves.

Por Paulo Atzingen*

Em entrevista exclusiva, David não escondeu seu entusiasmo ao apresentar seu novo projeto de vida, evidentemente ligado às coisas da aviação.

Barioni dispensaria apresentações se as notícias, o mundo e a roda da economia não girasse tão rápido. Ele já foi vice-presidente e fundador da GOL, presidente da própria TAM nos anos 2000, tendo depois presidido a ApexBrasil e a SP Turis.

“Já vi grandes crises e o Brasil é um país resiliente e com um mercado interno com 220 milhões de consumidores. Só cinco países do mundo são iguais ao nosso”, compara Barioni antes de falar de seu novo projeto. “É evidente, que para o Brasil crescer é preciso da aviação de negócios”, aponta.

David parece que nos arranca de uma perspectiva presa às questões emergenciais – ao aqui e ao agora – e nos projeta a um outro nível de análise que nos entusiasma:

“O Brasil tem 4.4 mil aeroportos, o segundo (em números) no mundo. Só que a aviação comercial apenas opera em 122 aeroportos domésticos. Como vi- vemos em um país capitalista, temos que levar os negócios para dentro do Brasil. Como fazer isso se temos 3 mil pistas que não são pavimentadas?”, pergunta-me Barioni em um sua frase longa e carregada de informações. Não tinha ideia.

Ele responde e usa a imagem que temos do mapa do Brasil à noite, quando as luzes das grandes cidades se sobressaem próximas à costa. “Se eu quero levar o meu negócio para uma cidade média ou pequena dentro do Brasil – ele não vai chegar lá porque não tem conexão aérea. O Brasil tem empresas de varejo com 4 mil filiais e que vão expandir; essas empresas pre- cisam da aviação de negócios”, prognostica.

Cotas

Antes mesmo que eu perguntasse quais eram as vantagens competitivas da modalidade fractional ownership ele se antecipa:

“Se o empresário vai voar pouco ele usa o nosso taxi aéreo. Se vai voar muito, compra uma cota”, explica.

Segundo ele, a média de uso de um avião por um alto executivo é de 7 a 8 horas por mês, o que equivale a cerca 80 horas/ano, no máximo 100 horas por ano. “Não compensa”, reforça baseado em referências globais: “Isso não para em pé. Não vale a pena pagar dezenas de milhões para o avião ficar mais tempo no hangar do que voando”, diz.

E apresenta a referência global:

“Se você voa 25 horas por ano não vale a pena ter um avião, melhor usar o taxia aéreo. Agora se você voa de 25 a 400 horas por ano é melhor você comprar uma propriedade aérea compartilhada”, grifa. Não eram, evidentemente, nenhum dos meus casos.

Dono do avião e não das horas

David explica que parte do princípio que um alto executivo voe até 400 horas por ano.”A Amaro Aviation vende o avião para esse executivo e ele passa a ser do- no deste avião. Não vendemos a hora de voo, ele com-
Continuação: David Barioni:

pra uma parte da aeronave. Dono dessa cota, ele tem direito a usar 100 horas por cota. Se ele projeta usar 200 horas pode comprar duas cotas”, enumera.

Nova legislação

David lembra que parte de seu entusiasmo se deve à mudança recente da legislação sobre propriedade compartilhada para a aviação executiva e autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil, há menos de um mês.

A Anac atendeu a uma demanda de mais de uma década do setor privado e adicionando segurança jurídica a um mercado bastante desenvolvido lá fora mas ainda pouco explorado no Brasil. “Só nos Estados Unidos isso funciona há 57 anos”, compara Barioni.

David me fala de outras vantagens mais implícitas ao adquirir uma cota da Amaro Aviation: “Quem ad- quire uma cota não precisa mais se preocupar com na- da. O operador do avião será o administrador do programa de compartilhamento, ficando responsável por responder por toda a operação junto à Anac. Isso vai desde a contratação de pilotos até responder em caso de acidentes. Fazemos toda a gestão profissional, inclusive a jurídica”, enumera de uma for- ma tão convincente que quis saber o preço.

E quanto custa?

“O Pilatus PC-24 chega ao Brasil em junho. É um jato executivo leve projetado para operar em pistas curtas e até sem pavimentação (terra, grama, cascalho, areia e neve). Ele chega na configuração 6+2 (passageiros
+ pilotos)”, especifica. Sua cota é de US$1.7 milhão. “Comprando um oitavo do avião, o executivo pode usar 100 horas por ano”, responde-me.
“E é preciso destacar que o preço da hora do voo no Pilatus PC-24 fica 40% abaixo de um taxi aéreo”, con- temporiza.

“Já o Pilatus PC-12 é um turboélice com uma autonomia brutal, podendo voar de São Paulo a Manaus. É 30% menos veloz que o PC-24 e chega em outubro deste ano. Sua cota é de US$ 880 mil – E oferece a mesma economia, ou seja sua hora de voo é 40% abaixo do custo de um taxi aéreo”, descreve.

No final da entrevista, David Barioni faz mais um prognóstico: “Estimamos que o Brasil tenha um mer- cado de 450 aeronaves de propriedade com- partilhada nos próximos anos”.

Com a mesma convicção daquele Davi que enfrentou o gigante, o comandante David tem um país enorme para ser conquistado. Coragem e determinação não lhe faltam.

A Amaro Aviation, empresa privada de aviação executiva, inicia suas operações no Brasil com o conceito de fractional ownership, um modelo de propriedade compartilhada de aeronaves destinado a ampliar o acesso de empresários e executivos às vantagens da aviação privada. A companhia atua também em gerenciamento de aeronaves e, dentro de alguns meses, como táxi aéreo, e tem parceria com a C_FLY Aviation.

O fundador e chairman da Amaro Aviation é Marcos Amaro, filho do comandante Rolim Amaro, um pioneiro da aviação brasileira e criador da TAM – hoje LATAM Airlines. Marcos é empresário e artista plástico, ex-proprietário da rede Óticas Carol e fun- dador do FAMA Museu.

*Paulo Atzingen é jornalista